POEMA DE AMOR




O Céu, as linhas de luz na água, 
caminhos diferentes para o coração. 
A queda de sons diversos na atenta coincidência 
dos ouvidos. A relação de uma límpida tarde 
com um movimento de ombros junto do teu corpo, 
na luminosa sequência da tua voz. 
Um andar divino de transparente espectro 
sobre o fundo de árvores; 
o acentuar da impressão dos teus olhos 
na quente atmosfera estagnada. 
Mas o súbito levantar do vento dissipou 
a primitiva aparência. Um canto lívido 
de mortas recordações apenas subsistiu, 
o indefinido desgosto dos teus braços, 
o remorso de gestos incompletos 
que a memória suspende. 
Nem me espanto já com a tua proximidade. 
Bem vindos, decompostos lábios! 
O ranger da cama sobrepõe-se 
ao ruído das cigarras.



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# Poema constante de POESIA REUNIDA [(1967-2000) Pub. D.Quixote, 2000)]
# Originalmente, publicado na página Quem lê Sophia de Mello Breyner Andresen (Clique AQUI)

│Autor: Nuno Júdice
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