O santuário




Entro no teu corpo
branco santuário
de cal e camélia
o porto que abriga
a nau insensata
e sombra de espiga
no chão do verão.
No teu corpo encontro
a âncora da vida
achada e perdida
no Mar Oceano
o cheiro de estrume
guardado no estábulo
o longo sol pálido
que nos ilumina
como um candelabro
que jamais se apaga
no final da festa
de arquejo e desejo
quando só nos resta
a sobra das almas
saliva e sobejo na escuridão.

.................................
# Constante de Cem poemas de amor (Escrituras Editora, 2004).

│Autor: Lêdo Ivo
_______________________

Comentários

OS 10 POSTS MAIS VISITADOS DOS ÚLTIMOS 30 DIAS

ÚLTIMO GRITO CONTRA A ESCURIDÃO

CONSUMAÇÃO

POEMAS DE PEDRO DU BOIS

VIAJANDO NA MADRUGADA

CATILINA

SOMBRAS E SOBRIEDADE

ÁVIDA FLAMA INCESSANTE

SERTÃO

RUÍNAS