VOLTAR AO SOPRO



“Tudo isto para brilhar um instante,
apenas, para ser lançado ao vento,
— por fidelidade à obscura semente,
ao que vem, na rotação da eternidade.”
- Cecília Meireles, em “Primavera”



Nada que não seja isto:
diante dos girassóis,
encher-me de amarelos,
com o horizonte ao fundo,
o azul em que dança
a imagem de um pássaro
                                    que,
                    por longe,
não diviso.

Nada que não seja isto:
abrir o livro da tarde
(em verdade, abrir-me),
para receber a luz
que do pássaro aos girassóis
a tudo repleta e aviva.

Nada que não seja estar
com estas inflorescências.
Longe de toda insalubridade,
poder voltar ao sopro.

│Autor: Webston Moura

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